Publicação por Maurício Leonardo
Após a morte súbita da medalhista olímpica Flo Hyman dentro de quadra em janeiro de 1986, e seu diagnóstico pós morten de Síndrome de Marfan (SM), o assunto de exercícios no contexto de artropatias veio à tona.
A SM afeta em torno de 0,02% (1 para 5000 indivíduos) da população e, em 3/4 trata-se de um caso familiar, sendo comum múltiplos indivíduos afetados numa mesma família. O quadro decorre de um alteração no gene da fibrilina, que gera fragilidade na camada média aorta e predisposição à aneurismas e dissecções.
Devido a essa alteração de base, por muito foi proscrito atividades físicas de qualquer sorte devido ao risco teórico de que elevações pressóricas intra exercícios pudessem precipitar dissecções e gerar mortes súbitas (fato que carece de observações em estudos longitudinais), mas devido a inúmeros fatores benéficos à saúde cardiovascular é imprescindível que os pacientes evitem o sedentarismo.
Modelos animais já demonstraram que períodos de exercício aeróbicos moderados aumentaram a deposição de elastina e diminuíram os níveis de dilatação aórtica e metaloproteinases relacionadas à pior prognóstico. Nesses estudos, a faixa ideal de VO2 ficou entre 55 e 65% do VO2max sendo que em faixas superiores houve perda dos benefícios.
Estudos com humanos também demonstraram que exercícios, tanto aeróbios quanto resistidos, de intensidade moderada obtiveram também melhora. Em um estudo piloto francês, 8 pacientes que conseguiram terminar um protocolo de 3 meses de exercícios em casa (duração de 1 hora, duas vezes na semana) tiveram aumento de força, de VO2 máximo e principalmente de qualidade de vida.

As recomendações de exercício atuais dependem da presença ou não de dilatação aórtica e histórico prévio de dissecção.
Indivíduos sem dilatação e sem comorbidades prévios tem a maior liberdade de escolha dentre as modalidades, mas mesmo nesse subgrupo se preza por evitar exercícios isométricos de alta intensidade (p ex levantamento de peso com %1RM elevados e situações com valsalva) e esportes que possa haver colisões.
Já em contextos com dilatação e/ou dissecção prévia, recomenda-se atividades de aerobicas (p ex natação e ciclismo) de leve-moderada intensidade.
A manutenção de um estilo de vida saudável é primordial para esses pacientes com uma doença crônica e que vem padecendo cada vez mais à moléstias psiquiátricas, sendo o exercício um grande aliado à sua prevenção e combate.
O médico assistente tem papel central no estimulo a atividades físicas adequadas ao contexto do paciente, indicar re-habilitação cardíaca quando necessário, e ser um ávido combatente ao sedentarismo